quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Notas III - A cidade onde as luzes se apagam
A cidade dorme outra vez, embalada no abraço da fria noite úmida de Itajubá.
Do alto desta colina sinto o vento intenso, que leva a fumaça de um cigarro quase extinto.
As cinzas caem na terra fria, onde o destino de todos se aproxima devagar, assim como essas luzes se apagam pela manhã. A terra clama por alimentar-se de nossa essência, onde deixamos um legado para os vermes se alimentarem. Como conseguir olhar pra trás sem se arrepender? Só não ter medo... Não ter medo de apostar tudo... Sei que não temos muito a perder, até porque não levarei nada daqui a não ser o que aprendi. Sempre tive a fascinação pela morte, não tenho medo de morrer, talvez seja isso que me aproximou mais de viver, ou melhor, vivenciar. Creio que só podemos entender a vida, quando vivenciamos a morte diante dos nossos olhos. E somente quando a luz quase nos deixa, que estamos aptos a poder sentir cada detalhe, exatamente cada detalhe que nunca tínhamos parado para pensar por um minuto sequer... Nunca paramos para sentir o poder que tem um sorriso, ou até mesmo aquele olhar inocente de uma criança que vive da sua forma mais verdadeira. Só conseguimos saber o que é paz, quando entramos em guerra, sim, uma guerra consigo mesmo, para eliminar o desnecessário. Só sabemos o que é amor, quando temos que enfrentar o ódio que vibra o coração.
Só sabemos o que é conhecimento, quando somos tomados pelo impulso da ignorância. Eu tinha aprendido a viver, por que também tinha aprendido a morrer... E agora estou apto a fazer tudo isso pela ultima vez... E espero ansioso pelo abraço da terra fria.
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